O testemunho da Sophia Soares que foi de Erasmus no 1º semestre do ano letivo 2020/2021
Candidataste-te no programa Erasmus + antes sequer de se imaginar que o COVID-19 fosse parar a vida de todos, a nível global. Quando a tua ida para Budapeste já estava cada vez mais próxima, passou-te pela cabeça desistir de Erasmus? O que te fez ir e ter a certeza que era a decisão certa, ainda por mais tendo em conta todas estas circunstâncias?
Quando a pandemia começou e se começou a acentuar, era bastante difícil perceber se ia de Erasmus efetivamente, ou não, até porque cada dia surgia uma notícia diferente. Com isto, posso dizer que estava um pouco incerta se seria a melhor decisão ingressar na mobilidade ou ficar cá, no entanto eu meti na cabeça que iria, caso o programa continuasse em vigor e senão, ficava cá sem problemas. Claro que me passou muitas vezes pela cabeça o medo de ir, mas decidi arriscar.
Dado que foste sozinha, como é que foram os primeiros tempos num país estrangeiro? Sentiste dificuldades enquanto aluna de erasmus?
Os primeiros dias em Budapeste foram muito complicados por eu estar sozinha e num país diferente, mas isto também foi porque tive de fazer quarentena assim que cheguei à Hungria. Assim que a quarentena acabou tudo se tornou mais fácil. As organizações de Erasmus (como a ESN) organizam muitos eventos e acabou por ser muito acessível conhecer pessoas e fazer amizades. Penso que teria sido mais fácil se tivesse ido com alguém da minha faculdade para lá, mas indo sozinha também não senti uma dificuldade assim tão grande e fiz amigos depressa, o que também ajudou muito.
Se pudesses dizer algumas coisas que achaste que eram mesmo necessárias preparar e/ou pesquisar antes de ir de erasmus, o que dirias?
Para começar, e na fase de pesquisa e preparação para Budapeste, tentei falar com pessoas que já tinham ido de Erasmus para esta cidade. Isto permitiu-me esclarecer várias dúvidas desde o custo médio de vida, qual o melhor lugar para viver, assim como pedir dicas sobre quais os melhores locais para visitar e o que não perder. Achei também importante pesquisar sobre a cultura do país e mesmo sobre a personalidade do povo de Budapeste e assim chegar lá já com uma certa “carga” de conhecimento.
Fazendo um breve resumo e em retrospectiva, como correu a experiência – e de uma maneira geral, na tua opinião, quais são as melhores e os aspetos menos positivos de ir de erasmus?
Olhando para todo o meu semestre, um dos melhores aspetos posso dizer que são as pessoas que conheci durante o caminho. Umas tornaram-se grandes amigas para a vida e outras são só pessoas que conhecemos e vivemos grandes momentos e que de certa forma nos marcaram muito. Acho essencialmente que é uma experiência de desenvolvimento pessoal muito grande – estamos num país diferente, sem a nossa família, então todos os imprevistos e todos os problemas que acontecem têm que ser resolvidos por nós próprios e acho que isso nos ajuda a crescer.
Dos aspetos menos positivos diria que é o facto de estarmos longe da família e amigos. Claro que ao longo do semestre acontecem pequeninos problemas, mas que façam rápido – aliás, bastante rápido até -, e como tal não considero que tenha havido pontos negativos.
De toda a tua aventura em Budapeste, e apesar do covid, qual momento escolherias como o que te tenha mais marcado e que te vais recordar para sempre.
Estar em Budapeste na altura do COVID-19 foi um desafio, até porque muitas coisas estavam fechadas, mas isso também permitiu que eu criasse um grande grupo de amigos. Fazíamos tudo juntos e os melhores momentos do meu Erasmus foram com certeza vividos com eles. Fizemos diversas viagens, alugámos carros para ir e isso também ajudou a que ficássemos mais próximos e realmente levássemos esta amizade para a vida.